Casal Cozinha https://www.casalcozinha.com.br Blog sobre o dia a dia gastronômico de um casal apaixonado por culinária e viagens. Receitas, dicas, truques, curiosidades e muito mais! Wed, 18 Apr 2018 12:52:08 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.9.5 https://i2.wp.com/www.casalcozinha.com.br/wp-content/uploads/2016/11/cropped-logo-desenho-2.png?fit=32%2C32&ssl=1 Casal Cozinha https://www.casalcozinha.com.br 32 32 Olha o Guaja aí gente!!! https://www.casalcozinha.com.br/olha-o-guaja-ai-gente/ https://www.casalcozinha.com.br/olha-o-guaja-ai-gente/#respond Wed, 18 Apr 2018 12:52:08 +0000 https://www.casalcozinha.com.br/?p=7997 Guaja

GUAJA. Um lugar, um conceito, uma corrente, uma confluência, um laço, um passo... vários. Porque por lá ninguém caminha sozinho e se queres chegar longe amigo, te aconselho que faça essa caminhada acompanhado!

O post Olha o Guaja aí gente!!! apareceu primeiro em Casal Cozinha.

]]>
Guaja

No ano de 2017 o termo “fake news” (notícia falsa) foi eleito a palavra do ano com direito a virar verbete de dicionário. Foi aplicado e alastrado mais que a peste negra e teve efeitos análogos. Aquele senhor alaranjado de topete de calopsita surtada foi um consumidor voraz e estrategista dessa expressão. Banqueteou-se dela a fim de vencer a eleição em uma nação que similarmente à nossa, vem se entregando a princípios extremistas e intolerantes diante de um quadro de desesperança corrosiva.

O outro lado da moeda é que o termo “compartilhamento” (sharing) também se mostrou cada vez mais presente e veio tomando corpo através de redes fundamentais para salvaguardar a continuidade da nossa existência por aqui. Muito dramático? Não, acredite. O limite de uso, abuso e estupro do nosso planeta já venceu, caducou mesmo; e já estamos nos minutos finais da prorrogação. E se você pensa que não tem nada a ver com isso te asseguro que você não entendeu nada. Cuidado que em alguns casos a ignorância (ativa e passiva) pode ser fatal.

Apesar do lado negro da força e das atrocidades de que somos capazes de fazer, existe uma sementinha em nós, em quem já foi criança um dia, que diz que o “bem vence o mal e afasta o temporal”. E é exatamente aí que entra o GUAJA. Um lugar, um conceito, uma corrente, uma confluência, um laço, um passo... vários. Porque por lá ninguém caminha sozinho e se queres chegar longe amigo, te aconselho que faça essa caminhada acompanhado!

Eu e uma amiga fomos fazer um esquenta (ou “esfria” melhor definiria porque a temperatura já era altíssima) para o show da sua majestade, o todo bom, Chico Buarque de Holanda. Fiz um check-in simpático e rápido que não tinha nenhuma intenção de me tratar como um mailing ao invés de pessoa e então recebi meu passaporte de entrada para esse mundo. A casa (arquitetonicamente esplendorosa) tinha aberto às 18h, cheguei meia hora depois e já estava lotada. Nos espaços divididos, mas conectados, reservados mas especulares aconteciam palestras, apresentações, confraternizações. Logo na entrada uma mulher, com a cabeça e corpo cobertos vestida conforme as muçulmanas, falava para uma pequena plateia apontando para uma espécie de planta baixa projetada no quadro. Pensei, cool!

 E essa sensação de descolado, inusitado e incomum foi se confirmado em todos os lugares nos quais os meus olhares pousavam. Eram vitrines de pessoas! Pessoas que despertavam um interesse imediato e magnetizante. Por que até onde eu sei, gente gosta é de gente e a gente só se faz gente no contato com outra gente. Apesar disso, às vezes, parecer cair em desuso e vez por outra seja necessário tomar uma certa distância de segurança.

E assim eu fui desvendando o GUAJA e sendo fisgada por ele. Um ambiente cuja concepção primária é unir pessoas, ideias, propostas e através desse compartilhamento de espaço e experiências, buscar transformar (pelo menos o nosso entorno) o mundo em um lugar muito mais legal e viável. Fui logo pensando se o Cérebro (aquele ratinho sagaz que dividia suas desventuras com o comparsa abestalhado Pinky na tentativa de dominar o mundo) tivesse tido essa iniciativa, sua ambição haveria de ter logrado êxito.

Lá no GUAJA você se sente realmente em outro planeta e sabe qual é a mágica disso? Não, não colocam “boa noite cinderela” no seu drink (convidativíssimos e com um divertido tempero feminista, diga-se de passagem) mas o feitiço se dá através da união e compartilhamento de DIVERSIDADES. A gente está tão acostumado a medir, parametrizar, classificar e enformar tudo que vamos perdendo o paladar e com isso a capacidade de sentir os diferentes sabores da vida. E tudo, coisas e pessoas, passam a serem vistos através do vidro da sauna, sem a definição e a vivacidade precisas. Lá no GUAJA tudo pulsa. Os sorrisos são mais sorrisos, os abraços mais apertados e o brilho nos olhos não foi gerado pelo efeito do app de edição de fotos.

E eu já que estava satisfeita só de ficar ali, ob-ob obeservando estrelas, quando depois de duas Heinekens geladas e servidas para tomar no bico (lembrando de como é bom sugar a vida no guti guti) chegaram os nossos sanduíches. Todos com nomes de edifícios icônicos de Belo Horizonte, aquela obra se tratava de uma construção de responsa. Edificante em/para todos os sentidos.

Fui apresentada ou IBATÉ30. Pão de brioche com gergelim (sovados por mãozinhas de anjos barrocos), blend de carnes (úmidas, no ponto mais que perfeito; ouvem-se harpas) queijo minas (uma das melhores coisas que temos na existência humana; obrigada Jesus por me desembarcar por aqui), tomate grelhado com ervas, crisp de ora-pro-nóbis (outra cosa nostra que me fez descobrir que não faz uma parceria de sucesso apenas com o franguinho refogado) e ketchup de goiabada (tks again Jejé), R$32. Minha amiga ascendeu ao SULAMÉRICA (vegano). Pão de figo, (como se faz isso, minha gente?)  hambúrguer de grão de bico (nossos hormônios femininos agradecem) e espinafre, guacamole (Dios proteja la producción mundial de avocado, amém!), alface roxa e crisp de manjericão, R$31.

Era sim um prelúdio de uma noite feliz. Devidamente batizada e iniciada no estilo GUAJA de ser, me nivelei aos outros convivas paradoxalmente diferentes e análogos. Entrei para o clube.

E assim, tomado esse banho de pertencimento e tendo finalizado com borrifadas de “interessância” me refiz; refrescada, leve e toda perfumosa. Aromatizada de gente. Segui pro meu encontro com Chico, a mais feliz das criaturas, confiante de que através dessa corrente poderosa, o mundo seja mais factível. Eu estava absolutamente pronta pra mergulhar naquele par de olhos tímidos e transparentes e viver toda a poesia que há na vida.

O post Olha o Guaja aí gente!!! apareceu primeiro em Casal Cozinha.

]]>
https://www.casalcozinha.com.br/olha-o-guaja-ai-gente/feed/ 0
BOCA FOI FEITA PRA CUMÊ! – MERCADO DA BOCA https://www.casalcozinha.com.br/mercadodaboca/ https://www.casalcozinha.com.br/mercadodaboca/#comments Thu, 22 Mar 2018 16:58:02 +0000 https://www.casalcozinha.com.br/?p=7990 Mercado da Boca

Estive lá no primeiro final de semana de abertura ao público. Com um frio na barriga confesso, porque minha expectativa era de estar a caminho de um show dos Rolling Stones, gratuito, na praça principal do centro de Tóquio no único feriado anual do calendário japonês.

O post BOCA FOI FEITA PRA CUMÊ! – MERCADO DA BOCA apareceu primeiro em Casal Cozinha.

]]>
Mercado da Boca

Primeira vez no Mercado da Boca

 

Se alguém ainda não viu o vídeo do título acima, dá uma googada rápida aí. O garotinho resumiu em duas frases as minhas maiores certezas da vida: “boca foi feita pra cumê. Eu fui feito pra cumê”.  Dito isso, declaro que achei absolutamente genial a escolha do nome do mais recente e original espaço gastronômico de Belo Horizonte (que fica em Nova Lima, mas c'est tout la même chose):  MERCADO DA BOCA.

Estive lá no primeiro final de semana de abertura ao público. Com um frio na barriga confesso, porque minha expectativa era de estar a caminho de um show dos Rolling Stones, gratuito, na praça principal do centro de Tóquio no único feriado anual do calendário japonês (não sei se eles curtem Stones, mas não perderiam a oportunidade de tirar fotos, né?). BH adora uma novidade e a gente merece muito.

Com a tática de guerrilha traçada, cheguei ao Boca exatos 03 minutos após a abertura, já contando com o tempo de estacionar o carro. Parei no serviço de valet, que fica no subsolo do mercado para ganhar tempo na minha cruzada. Não recomendo, 10 pilas a hora, mas a causa era maior. Os guichês (em número suficiente e presentes nos dois pisos) já apresentavam pequenas filas. Marido fez cara de choque, acho que na encarnação passada ele foi o pequeno Nikolai, obrigado por sua mãe a enfrentar diariamente a gigantesca fila do pão durante o regime soviético. Traumatizou, coitado.

Compramos o cartão de acesso (fof’s) carregamos com bem muitos dinheiros porque a gente tinha o pressentimento que a farra ia ser boa. Vale registrar que ficam circulando várias pessoas com boquinhas ao estilo antenas de Chapolin para recarregar o seu cartão de pronto. Então, se você tem filhos lembre da cara deles quando viram papai noel pela primeira vez. Se não tem, puxa aí a memória da sua infância. Situou? Era esse o nosso semblante admirando aquela vastidão de “lujinhas”. Mexicano, brasileiro, espanhol, italiano, português, francês, refugiado... uma verdadeira ONU gastronômica. E assim ficamos, em estado de graça, rodando como peões encantados ao sabor dos prazeres da Boca.

De repente piscamos os olhos e vimos que o lugar estava cheio, como esperado. A gente ainda não tinha comido nada, somente tacinhas de vinho dançando nas mãos. Nikolai reincorporou e tratamos de fazer uma escolha apressada, retomar a nossa tática de guerrilha e sair em busca de abrigo (aka lugar para sentar). Lá eles usam o sistema de enviar um SMS para seu o celular quando o pedido estiver pronto, melhor impossível.

As mesas funcionam de forma compartilhada, mas geral não entendeu isso ainda. Vimos vários lugares vazios, pedimos licença para sentar e a resposta foi a mesma: tem gente! Gente invisível, novo gênero na praça. Depois as pessoas passaram “marcar” lugares, com bolsas, celulares e até com óculos escuros. Me fez lembrar os tempos de escola que a gente guardava a carteira do lado para o coleguinha mais querido. Enquanto isso o pau comendo lá fora. Filas ziguezagueando o mercado sob o sol da Toscana (com menos glamour, já que beleza natural não é o forte da vizinhança).

Sentamos num cantinho escondido em frente ao espaço da La Macelleria. A localização não era privilegiada, mas era o cheiro era. Senhor! O paraíso deve ter esse cheiro. Abre o olho, treme o celular; chega o SMS, pedido pronto. Mexicano pra compartilhar, foi o que conseguimos decidir de supetão. Tudo muito gostoso, ficou devendo a tortilla de maiz, aparentemente sem a cal que dá a textura correta. Depois, altamente influenciados pelo aroma circundante, comemos um primoroso contrafilé de Wagyu, padrão Flintstones. Depois veio um camarão delícia com molhinho de rapadura e abacaxi, (esqueci de onde) e Stake Tartar do Alma Chef, bem feito, mas com sal além da conta.

Tacinhas de vinhos educadas para acompanhar os quitutes até depararmos com um charmoso quiosque na curva do segundo andar, em frente a loja de vinhos. Garrafas estampadas com bolinhas de cores variadas fisgaram os meus olhos infantis. Eram sangrias, de vinho branco, tinto e cava.  Umas daquelas coisas da vida que quem tem problema com limite não deveria experimentar. Mas como a gente não faz só o que deveria, mergulhamos na sangria.

Foi uma tarde cheia de boas surpresas. Em dada hora, quando estavam com a lotação máxima, seguraram as filas lá de fora e passaram a funcionar no esquema de entrar só o número de pessoas que saíssem. Cuidado fundamental para o bom andamento das coisas, mas raro de se ver. Todo mundo que está envolvido no projeto, os atendentes, empreendedores, chefs, ajudantes, boquinhas Chapolim, pessoal da limpeza, segurança... todos com quem cruzei demonstravam estar muito orgulhos de fazerem parte daquele lugar.

Tudo que pedimos veio gostoso e com um bom tempo de execução. Não vimos tumulto ou confusão, tudo fluindo bacana e coerente com o porte do lugar. O espaço é um capricho só, já frequentei alguns lugares afins na gringa e posso dizer que a minerada tá fazendo bonito. Puxão de orelha para a climatização. Não vi ar condicionado, só ventilação que não foi suficiente pra vencer o calor do dia. Tava um calor da muléstia! A acústica também precisa ser revista (ou feita, porque acho que não houve nenhum tratamento nesse sentido), não dá pra escutar a música ambiente e é preciso falar bem acima do tom.

Não, não é um mercado como ouvi muita gente queixar. O foco não é expor produtos, muitas vezes in natura, para a venda ao público. Mas o conceito despojado, aconchegante e agregador de um mercado está presente ali sim. Se fôssemos nos apegar à definição mais precisa, seria adequado classificar como uma food court, ou praça de alimentação. Mas será mesmo que a gente precisa se ater a tamanho preciosismo?

A gestação foi longa, Mercado da Boca, mas o filho saiu no capricho. Orgulho de ter algo assim por aqui. Sinto um cadinho mãe também (afinal filho bonito tem um monte de gente reivindicando a paternidade, né?) como amante da gastronomia e dos prazeres da boa mesa. Sei que falta muita coisa para ajustar principalmente dado o furor da estreia. Mas, estou boquiaberta com a façanha e desejosa de um sucesso à altura do arrojo e esmero do empreendimento.

Agora de boca vazia, como manda a boa educação, evoco a função secundária da boca pra dizer:

Seja muito bem-vindo, Mercado da Boca. Obrigada por existir!

O post BOCA FOI FEITA PRA CUMÊ! – MERCADO DA BOCA apareceu primeiro em Casal Cozinha.

]]>
https://www.casalcozinha.com.br/mercadodaboca/feed/ 18
O Restaurante WEAK anda destratando as visitas https://www.casalcozinha.com.br/o-restaurante-weak-anda-destratando-as-visitas/ https://www.casalcozinha.com.br/o-restaurante-weak-anda-destratando-as-visitas/#respond Mon, 15 Jan 2018 12:34:21 +0000 https://www.casalcozinha.com.br/?p=7965 RESTAURANTE WEEK

Não, não se trata de um erro de digitação ou um lapso rude que o meu Inglês de pronúncia albanesa cometeu. O Restaurante Week se transformou em Restaurante Weak. Afirmo e desenho como poderão verificar na sequência.

O post O Restaurante WEAK anda destratando as visitas apareceu primeiro em Casal Cozinha.

]]>
RESTAURANTE WEEK

O RESTAURANTE WEAK ANDA DESTRATANDO AS VISITAS

Não, não se trata de um erro de digitação ou um lapso rude que o meu Inglês de pronúncia albanesa cometeu. O Restaurante Week se transformou em Restaurante Weak. Afirmo e desenho como poderão verificar na sequência.

Fraco, vamos combinar, é o jeito polido de se dizer quando algo está uma bosta. “Você assistiu àquele (essa crase aqui tem razões estéticas porque ninguém perguntando prosaicamente irá se lembrar da transitividade do verbo) novo filme com o George Clooney”? “Assisti. Achei meio fraco”. Percebe? Jeito delicado de dizer: “Achei uma bosta”. E tão bosta que nem o Ney (se aquele pedaço tivesse nascido no Brasil teria o apelido de Ney porque a gente tem talento pra fuder com tudo) conseguiu salvar o filme é porque é um filme bostão mesmo. Então, além de ter achado que o trocadilho ficou bacana (cada um tem suas taras, respeite a minha) eu não iria escrever que o Restaurante Week virou Restaurante Bosta. Até porque bosta e comida não se misturam apesar de terem o mesmo íntimo, são inexoravelmente separadas pelo fator tempo.

O Restaurante Week marca presença em BH há sete anos, se não me engano. O evento que tem a proposta de democratizar o acesso aos principais restaurantes através de um menu especialmente preparado e vendido a preços convidativos; está definhando. De atrativo restaram só os preços. Ano após ano, só piora. E quando você pensa que já viu de tudo, como costuma dizer um amigo querido, você percebe que o inferno tem subsolo.

Pequenas amostras de práticas que eu vi acontecerem, meninos eu vi! Os registros foram feitos no tempo em que eu ainda insistia em dar credibilidade ao festival. Juro que fui muito persistente, vesti a camisa e posei para foto de cliente do mês em prol do evento. Atualmente o que ocorre é que eu marco o período da realização do Week na minha folhinha (que dependendo do humor parece durar semanas) com intuito de extirpar os restaurantes participantes do meu cardápio de opções. Durante esse período fico de resguardo (ia usar luto mas achei um pouco forte). Vamos aos fatos.

Já vi restaurante reservar espaço “especial” #SQN para os convivas que foram participar do festival de horrores gastronomia. Adaptaram uma espécie de “puxadim, malarumadim” para separar a pipoca do abadá. Dava dó de ver, porque mesmo estando no camarote nessa ocasião, nunca mais voltei nesse restaurante por conta do impacto oriundo de tal cena. Até a louça e paramentações eram “especiais”, acredita?

Tem casa que trabalha com reservas durante o período do Week, só para a turma que investe no cardápio regular. Perguntam sem piedade: “é normal ou Restaurante Week? Desculpe senhor, Week é por ordem de chegada”. Vai boiada! Sabe o esquema do médico que não tem vaga para atender pela Unimed, mas se oferece para ir até a sua casa se a consulta for particular? Sempre achei uma prática pra lá de curiosa.

Também tem a eficaz malandragem de não entregar o cardápiozinho, impresso para a ocasião ao desavisado que chega. Vai que ele não tá sabendo, né? Entrega-se o cardápio da casa, no mais legítimo “vai que cola”. Quando aquele cliente infeliz resolve pedir cardápiozinho maldito, o garçom vai buscar, mas isso envolve uma técnica elaborada. Ele demora um pouco porque está ensaiando o que aprendeu no curso pré-evento. Então amigo, ele surge com uma carranca tão sinistra, mas tão sinistra, que é capaz de meter medo em muito sujeito omi. Além da expressão facial existem outras artimanhas, de caráter subliminar, como a de te tratar como uma ameba leprosa. Esse combo te derrota, te faz sentir um bosta. Desculpa, mas aqui não dá para dourar a pílula. Quando a gente se sente um bosta a gente não faz a egípcia e finge que tá “merdinha”, a gente se sente um bosta com toda a robustidão do termo (ops, I did again!).

Jogo sujo é o truque do sistema de cotas. Já vi dizer que o menu do Week estava encerrado na entrevista inicial mesmo o candidato tendo se declarado afrodescendente com cruzamento índio, egresso do sistema educacional público, deficiente auditivo e manco da perna esquerda. Nada o fará entrar, não tem conversa, o portão está cerrado. Enquanto isso na sala da injustiça o homem branco sempre no comando portando o cardápio “normal” é servido como rei. Alerta para não se criar nesse trecho mimimi relacionado a preconceito. Trata-se só, e somente só de uma figura de linguagem, antítese, para reforçar a oposição Week x Menu habitual, tamo combinado parte chata que habita o mundo travestida de assombração? Voltemos a programação normal.

Um dos poucos restaurantes que eu garrei ódia (porque ódio tem que ser substantivo feminino quando é assim, muito intenso. Basta imaginar uma mulher irada que você entende a necessidade de mudança de gênero) e que adentrei o salão, desavisada do período da pororoca e subsequente suspensão da pesca (forcei a amizade aqui?) e, por infortúnio fui pedir o cardápiozinho cujo o menuzim era:

Entradas: Canjiquinha com Ragu de linguiça OU Salada Verão ao molho cítrico. Principais: Gnocchi ao sugo e manjericão OU Filet ao molho rôti e purê de Baroa. Para a sobremesa eu fiz a Kátia cega e não registrei, mas devia ser algo como guaraná, suco de caju e goiabada.

Eu estava em uma mesa de visão privilegiada, no fundo do salão. Se eu, que estava só vendo não fiquei nada satisfeita imagina as cobaias? É o tipo de cardápio que nem escrito em francês e com olho azul parece sedutor. Com relação à aparência não preciso dizer, né? Já discutimos isso no início do texto, me poupem de ser repetitiva. E para Je que suis macaca idosa (porque velho também não é polido) tem uns truques que os restaurantes safadinhos como esse praticam. A titia aqui vai revelar hoje pra vocês, prestenção aí, turma do fundão! Avaliaremos de acordo com a clássica escala BBB (bom, bonito e barato) e, com um extra para F de molezinha:

1. Canjiquinha. Prepara-se um panelão, se faltar põe água que incha, rende. Bom e barato e F de molezinha. O bonito fica devendo.

2. Ragu. Qualquer carne cozida despedaçada que você provavelmente não identificará de que animal veio (podendo ser de vários, inclusive) jogada por cima de algo que precisa ser coberto porque desnudo não desce. 2B (não é o lápis, menino!) porque também peca no item formosura; plus F.

3. Gnocchi. Esse é triplo B. E costuma ser de farinha ao invés de batata pra render e garantir o B de bonito e o F de molezinha!

4. Molho Rôti nesses lugares sapequinhas, é a junção do fundinho da panela pela qual a carne passou com uma caralhada (às vezes a grosseria se faz necessária, como neste caso em que existe o imperioso de criar impacto) de manteiga. Esse ganha um B ++ no quesito bom porque manteiga é irmã do bacon e se ele é vida, ela é magia. Ou então qualquer molho escuro de pozinho a la pacotim de tempero do Miojo. Devo continuar ou já parti muitos coraçõezinhos até o presente momento? Só mais um porque esse não pode ficar de fora, juro que paro depois.

5. Purê de Baroa. Ou “purezinho” de Baroa para os íntimos. Está melhor ranqueado, segundo dados do Instituto Vox Populi, no quesito popularidade do que a Dengue, Chicungunha e Zica. Somadas! Purê de Baroa - que em hipótese alguma pode ser chamado de purê de mandioquinha, batata Baroa (pirou em fazer alusão à prima pobre?) e treva eterna para quem disser cenourinha amarela - é top das galáxias, darling! Outro dado importante diz que se somarmos todos os nascimentos de Enzos e Valentinas de 2017 não chegamos nem perto da notoriedade dessa papinha luxo. Tá bom, parei. Não vou ser um veículo de desilusão. Eu sou da galera que manda mensagem surpresa em carro de som com a “nossa” música. Não mudarei de time (veículo, carro... vai dando corda).

Será que deu para ilustrar um pouco do que tem acontecido durante a realização do Restaurante Week? Se quisermos eleger uma imagem representativa fechemos nossos olhos e imaginemos muitas bruxas soltas. Então, é dado um sinal inaudível ao ouvido humano e de repente todas elas se reúnem e começam a dançar ao som de Despacito (esse sim, em uma profusão de decibéis). Copiou?

O conceito do evento é excelente e acredito que tentaram, de fato, serem fiéis à essência quando na realização das primeiras edições. Apresentar seu restaurante àqueles que não são seu público alvo em teoria, democratizar a cozinha, promover experiências, ousar... mais aí veio o capeta e ploft! Levou mais essas intenções para a cabaninha dele. Virou uma briga de foice entre o restaurante e o cliente do cardapiozinho. Um jogo de muitos erros e extremo mau gosto.

De tudo só nos resta uma questão: Por que meu Deus, porque? A participação é compulsória? Não, que eu saiba. Não quer ficar fora da “thurma” dos considerados restaurantes bacanudos? Talvez. O que não faz sentido é aderir a um festival cuja sacada é apresentar sua casa a não-clientes habitués e daí você faz “um feio” desses? Se fosse na minha casa o chinelo comia solto porque se eu destratasse a visita, o beliscão escamoteado e a frase dita entredentes “você vai ver o que te espera quando o Sr. Visita for embora” eram o prenúncio da segunda certeza que eu passei a ter. Quem diz que a gente só tem uma certeza na vida não conheceu o chinelo da minha mãe. Eu não sei de muita coisa e concordo com menos ainda, mas tem um ditado sobre uma tal primeira impressão que eu acho muito válido. Se eu recebo visitas pela primeira vez, o mínimo que farei é deixar a casa arrumadinha e tratar as pessoas com consideração, certo?

Então meus caros restaurantes participantes dessa campanha weak e todos os homens de boa vontade... bora tomar um Biotômico Fontoura e firmar os casco? Vamos fazer um evento sacudido pra dar brilho nos olhos do povo? Deixa essa fraqueza só pras Angolas que são entendidas do assunto. A gente não quer só comida, a gente quer

O post O Restaurante WEAK anda destratando as visitas apareceu primeiro em Casal Cozinha.

]]>
https://www.casalcozinha.com.br/o-restaurante-weak-anda-destratando-as-visitas/feed/ 0
O Albanos não é mais aquele, o que é que a gente… https://www.casalcozinha.com.br/o-albanos-nao-e-mais-aqueleo-albanos-nao-e-mais-aquele/ https://www.casalcozinha.com.br/o-albanos-nao-e-mais-aqueleo-albanos-nao-e-mais-aquele/#comments Wed, 20 Dec 2017 13:49:28 +0000 https://www.casalcozinha.com.br/?p=7959 Albanos

O Albanos era o templo do prazer, da dança coreografada de tulipas cintilantes, de sorrisos largos e encontros mágicos. O que fizeram com você Albanos?

O post O Albanos não é mais aquele, o que é que a gente… apareceu primeiro em Casal Cozinha.

]]>
Albanos

O Albanos não é mais aquele, o que é que a gente faz com ele?

Lembro de quando era jovenzinha, no século passado em que os adolescentes podiam comprar bebida alcoólica e cigarros sem precisar falsificar a carteira de identidade ou passar a incumbência para um amigo mais velho, a enorme fascinação que eu nutria pelo Albanos. Era um casarão imponente à rua Pium-I que nesta época remota, nem sequer se assemelhava ao considerável point no qual se transformou hoje.

O Albanos era o templo do prazer, da dança coreografada de tulipas cintilantes, de sorrisos largos e encontros mágicos. Santuário da esbórnia naquilo que ela traz de melhor: o excesso! Quem acredita plenamente que a moderação é a chave da existência e nunca viveu uma noitada louca, tem o direito de pedir bis na outra vida. Meu palácio do hedonismo com perfume de luxúria, me hipnotizava e despertava em mim tal como em um outro canalha espirituoso, os instintos mais primitivos.

Era com o respeito e a devoção de quem sempre foi dada a vícios e desenvolveu uma relação estável com a libertinagem, que eu frequentava aquele lugar, minha Pasárgada aonde eu era amigo do rei.

Dia desses, ao me levantar e a coluna assumir vida própria, inconvenientemente me lembrando dos anos que se amontoam na cacunda, um sentimento misto de revolta e síndrome de Peter Pan me arrebatou e decidi revisitar meu passado traquinas.

Era domingo e a ousadia que gritava dentro de mim intimou o marido que fez cara de quem não está entendendo nada, mas tem juízo suficiente para não discordar, e então decretei:  hoje não tem almoço! Almoço de domingo é coisa de velho. Vamos aos Albanos encher a cara no chope e degustar os mais aguerridos petiscos.  Dito isso me senti imediatamente o sapo, aquele que caiu na lagoa.

Chegamos e o coração começou a bater forte, coração de xóvem, pô! Mal nos acomodamos e já fui, abruptamente tragada da minha fantasia pueril. Fui sugada pelo abissal ralo da realidade que insistia em acender pra mim, como um enorme letreiro de neon de motel de beira de estrada insistentemente piscando o alerta: pare aqui!

Impossível não perceber o que fizeram com você, meu Albanos querido! Mesas com famílias e mais famílias numerosas, famintas e barulhentas a almoçarem. O fundo musical era choro de criança. O do salão foi transformado em um espaço kids improvisado com placas de EVA sujas e brinquedos surrados espalhados pelo chão.

O atendimento simpático e cordial, o chope tantas vezes premiado continuava saboroso, os petiscos embora limitados eram gostosos e baratos (uma necessidade de famílias com muitos membros) e muito bem servidos; sim, em odiáveis porções familiares. Pedimos um pastelzinho frito cuja promessa era vir meio a meio e alguém por descuido mandou só de carne (era tudo tão broxante que não ouve a menor menção de protesto) e uma porção que alimentava uma trupe de circo mambembe de fish and chips (iscas de Tilápia empanadas na farinha Panko, sequinhas e com um tempero muito bom acompanhadas de batatas fritas, murchas como nós).

Tentei fazer o tio do pavê para elevar a animação. Não deu, a causa era justa, mas tudo tem limite. Encenei a minha melhor versão de Serginho Groisman fala garoto de ser, mas o calor insuportável só terminava pra completar o desastre do meu não-almoço no covil dos almoços. Achei que se tratava de uma espécie de menopausa precoce, mas o marido confirmou que meu calor não era um privilégio exclusivo.

Pedi ao garçom gracinha que fizesse a gentileza de ligar o ar e ele volta me dizendo que estava ligado, que não estava era “dando conta” mesmo. Com a parca visão que me resta, lancei um olhar de viés para o controle digital que ele trazia na mão e a temperatura indicava 29ºC. Rapaz, olha isso, vocês estão fritando a gente!

Resolvido o problema da minha menopausa fantasmática, de tudo o que restou foi essa impressão: descuido. Uma casa de ninguém! Um lugar que nada tem a ver com diversão e alegria. Meu templo se transformou num lugar tedioso, cheirando à cartão de ponto no qual as famílias se encontram burocraticamente para almoçar e tratar de resolver o seu problema instintivo de fome.

Não me levem a mal, por mais que eu tenha curso de zona, não condeno de maneira alguma a família da qual se sofre. É uma instituição necessária e que segura as barras da gente. Mas, uma coisa que nunca pôde ocupar o mesmo lugar na lógica do mundo é o familiar e o boêmio. São água e óleo; quem é do lar não pertence ao bar, de acordo Marcela?

O sorriso no meu rosto se desfez por completo. Tão amarelo quanto o teto cansado, as conservas de pimenta desbotadas que ornam o balcão cuja vitrine expõe revistas, talvez de alguma publicação dos tempos gloriosos, mas tão ensebadas quanto as do consultório do meu dentista.

O marido, o ultimo dos moicanos, tentou colocar a culpa no chope que de fato não estava tão gelado (lembro da porra do ar quente) e, lançando mão da ultima faísca de boa vontade que trazia no peito, pede uma Margarita. Trouxeram uma limonada pálida, tristemente acomodada numa taça de Martine. Se até a Tequila não conseguiu nos salvar não convém esperar pelo Chapolin.

Derrotados, decidimos que estava na hora de acabar com nossa aventura e trocamos promessas de deixar o saudosismo no passado, que é o seu lugar de pertencimento. Saímos jururus e resignados. Ao passar pela varanda a caminho do carro vejo uma babá, impecavelmente vestida de branco (babás aos domingos contam pontos extras na lógica de status da nossa amada TFM) picando uma carne e alimentando um garoto de cerca de oito anos. Me solidarizei com ela, trocamos um sorriso débil e fui pra casa dormir e ver se sonhava.

O post O Albanos não é mais aquele, o que é que a gente… apareceu primeiro em Casal Cozinha.

]]>
https://www.casalcozinha.com.br/o-albanos-nao-e-mais-aqueleo-albanos-nao-e-mais-aquele/feed/ 1
Discutindo a relação: Bemvindo e eu https://www.casalcozinha.com.br/discutindo-relacao-bemvindo/ https://www.casalcozinha.com.br/discutindo-relacao-bemvindo/#comments Thu, 14 Dec 2017 16:30:07 +0000 https://www.casalcozinha.com.br/?p=7947 Bemvindo Restaurante

Divirta-se com mais essa crônica gastronômica escrita por Hanna Litwinski, desta vez Hanna faz uma verdadeira D.R. com o restaurante Bemvindo em BH.

O post Discutindo a relação: Bemvindo e eu apareceu primeiro em Casal Cozinha.

]]>
Bemvindo Restaurante

Bemvindo restaurante

Belo Horizonte

 

Antes que se enveredem nessa resenha devo alertar que as impressões registradas aqui podem não corresponder fidedignamente à realidade, uma vez que, foram feitas sob efeito de álcool, em quantidades generosas.

Esclareço. Tratava-se de um encontro de amigas, um quarteto fantástico. O restaurante em sociedade com o capeta inventou um tal rodízio de vinho, ao custo de R$39.

Uma excelente ideia, não?  Vinhos de qualidade razoável, mas que cumprem dignamente a promessa de embalar os papos e as risadas ao longo da noite.

Seria uma boa ideia. Seu eu tivesse educação. Resultado? Copo cheio; cara cheia.

Pulemos essa parte e vamos começar a nossa D. R.

Lembro da inauguração do Benvindo, num pequeno e charmoso espaço na rua São Paulo, no coração de Lourdes. A cozinha comandada pelo chef proprietário Paulo Henrique Vasconcelos não tocou meu coração.

Apesar de se denominar um bistrô francês, o chef, à época, se deixou seduzir por técnicas da culinária molecular e outras invencionices cujos os nomes impressionam, mas pouco agregam ao resultado final. Cozimento à baixa temperatura, espumas a dar com pau, show de gelo seco e por aí vai. Não me entendam mal. Longe de mim ser purista ou contrária ao desenvolvimento de técnicas distintas. O que eu gosto é de comida boa e os meios devem justificar os fins e não serem eles próprios o objetivo final

Tratava-se de um menu perdido com muita informação e pouca personalidade. Mas a nossa Belzonte, rocinha querida com o seu provincianismo peculiar, adorou o bristôzinho metido à besta.

Lourdianas e lourdianos em frenesi celebraram a novidade e trataram de colocar a casa no hall dos lugares sagrados and blindados (ainda escreverei um post sobre isso quando estiver com paciência de fazer a mulçumana adultera disposta a recolher as pedras lançadas).

Dessa forma, o que não foi uma boa primeira impressão tronou-se antipatia. Rancinho mesmo. Virei as costas e segui a vida.

Alguns anos depois voltei e comi um menu executivo.

Arrependimento tamanho GG. O peixe parecia frango e o picadinho de filet tinha consistência de moela. Pensei: nossa! Mas as técnicas moleculares por aqui andam mais avançadas que comida de astronauta!

Mas na real era só comida ruim mesmo, de um lugar que cheirava a naftalina e gim barato.

Segue o enterro.

Mais tempo se passou e fico sabendo da mudança de endereço. Um charmoso espaço na rua Felipe dos Santos que antes abrigava o aprazível Ficus.

A áurea do lugar mudou. O atendimento se profissionalizou, o cardápio deixou os penduricalhos de lado e focou no menu correto, clássico e na medida. Minha primeira incursão lá foi em noite de turma e algazarra, dessas que você petisca algo sem prestar atenção porque não pode perder o assunto.

Voltei essa semana, municiada do volcher gentilmente cedido pelo confrade @jorge (tks!), do grupo Restaurantes de Belo Horizonte, e impulsionada pela curiosidade de saber que o chef Alain Patrick Ducasse (francês, xará do compatriota “trimechelado” e ex Teste Vin) havia reformulado o cardápio evidenciando os bons e arrebatadores clássicos franceses.

O cardápio atual está convidativo, daqueles que gera dúvidas cruéis e escolhas sofridas que implicam em sentimentos de perda imediatos... Magret de Canard ou Coq au vin?

Queria ter somente esse tipo de incerteza na vida.

Pedidos feitos e segue a dança de taças cheias sob o ritmo da insensatez.

Entradas compartilhadas: uma tortinha de queijo de cabra com mel trufado que dava vontade de desfazer a amizade só pra poder comer sozinha. Muito pequena (tamanho da palma da mão) mas inversamente proporcional ao tamanho estava o sabor. Olímpico!

Stake tartar clássico, com gema pra misturar na hora, bem acompanhado das tradicionais french fries, sequinhas e crocantes. Gostoso, mas poderia ser melhor condimentado.

Passemos aos principais. Steak ao poivre: ancho ao molho poivre, espinafre e batatas fritas (que foram a pedido substituídas por batatas sauté).

Filet com ovo trufado, batatas rústicas e arroz piemontese.

Chegaram os pratos e fizemos degustações compartilhadas. Garfadinhas de amor. As impressões foram unânimes, o que costuma ser difícil considerando que gosto e bunda....

As batatas souté estavam moles e gordurosas. O ancho delicioso e no ponto perfeito (cada vez que alguém serve uma carne no ponto certo em Belo Horizonte um anjo sorri e toca harpa no céu).

Batatas souté e bide ancho

O espinafre era um espinafre. E o molho insonso e sem alma. Não se sentia nem a pimenta direito, um molho burocrático por assim dizer.

O piemontese, apesar de uma cor estranha, estava delicioso e valia cada quilo de manteiga envolvido.

Filet ok, batatas boas. Só.

É uma história sem fortes emoções. Queria ter contado uma extraordinária volta por cima dessas de filme da sessão da tarde...não deu. Desculpe.

Nossa D. R. terminou assim, meio picolé de chuchu.

Mas aprendendo a ver o lado bom das coisas, algo com qual a estrada (leia-se maturidade, aka “veiera” mesmo) me presenteou, posso dizer a cozinha evoluiu. Tem um formato definido e achou o seu fio condutor.

Atiçada pelas tacinhas (eufemismo hipócrita) de vinho pedi que chamassem o chef e fiz com ele quase uma entrevista sobre os novos rumos da cozinha do restaurante. Conversa devidamente fotografada por uma amiga louca que dizia fazer minha assessoria de imprensa.

Alain Patrick Ducasse

A cronista Hanna Litwinski e o chef Alain Patrick Ducasse

Acho que Ducasse não entendeu muito aquela cena. E nem poderia devido as discrepâncias etílicas presentes entre nós. Encerrei o papo me apresentando como “cronista gastronômica”, termo que cunhei para mim mesma, de supetão, e na hora me pareceu genial.

De resto, faltou finesse mas sobrou disposição, algo que permeia sempre os relacionamentos indeléveis.

O post Discutindo a relação: Bemvindo e eu apareceu primeiro em Casal Cozinha.

]]>
https://www.casalcozinha.com.br/discutindo-relacao-bemvindo/feed/ 1