Peixe esperto não nada contra a corrente

Por : | 0 Comentários | On : 30 de julho de 2018 | Categoria : Crônicas Gastronômicas

Todo mundo tem o seu cantinho no mundo, não é?
Aquele lugarzinho que parece colo de mãe. O meu é o Peixe Boi e sentindo decepcionar uma galera, venho informar que a PERFEIÇÃO não existe. O que existe é almoço muito agradável, comida gostosa, atendimento cortês. E mesmo você tendo experimentado isso várias vezes no mesmo lugar, às vezes “dá ruim”.

Tinha um almoço marcado com duas amigas e na hora de escolher o restaurante sugeri que fôssemos no “Peixe” (falo “O Peixe” porque a gente tem intimidade) lembrança afetiva incitada por post aqui do grupo. Acontece que apesar de ser “cliente de cartelinha”, nunca tinha ido lá em dia de semana.

Chegamos, eu duas amigas e um pré-adolescente entediado. O lugar que é pequeno, estava apinhado. Um entra e sai de estação de metrô, fila, gente, fila, gente. Devíamos ter prestado atenção aí, escutando aquele “instinto ciliada” e dado no pé. Não fomos.

O pré-adolescente entendiado, conseguiu tirar o olho do celular por 45 segundos pra fazer o pedido de um PF customizado com aquela expressão irritante de que está fazendo um enorme favor pra gente. Minha amiga foi na dele e eu embarquei no pedido da outra amiga: moqueca de Badejo que está no cardápio tradicional da casa (serve até 3, R$119,00).

Avisadas de que a moqueca demoraria cerca de uns quarenta minutos, pedimos para que os PF’S viessem primeiro. Entradinhas de espetinho de camarão e pasteizinhos sortidos, delícia conhecida.

Nesse interim (acho chic gente que fala assim), vimos rodar boas dezenas de PF’S (customizados ou de raiz) a nossa volta. De novo ignoramos os sinais.

O PF da minha turma não chegava, saquei que não tinham entendido o pedido porque a moça que estava nos atendendo, encarnou a Dory naquele dia. Gol pra mim. Um pouquinho mais de espera e chegaram os pratos, com os pontos da carne ao “ponto do chef”, mas a comidinha honesta e saborosa.

Os quarenta minutos da nossa moqueca deram cria e como a conversa estava animada, três mulheres tentando falar ao mesmo tempo não foi ruim esperar. Então, eis que chega a gloriosa! A emoção foi tanta, que ao invés das tradicionais fotos que faço, quis fazer também um filminho apesar do meu estômago não concordar em nada com isso.

Arroz, pirão delícia e grandes cubos de peixe nadando naquela infusão mágica que a genial Bahia pariu. Só que os sinais que teimamos em ignorar agora gritaram alto, assim que o garfo partiu o peixe. Minha companheira de aventura, que tem um poder de síntese muito melhor que o meu (coisa que não é nada difícil) declarou: “está tão seco que se pegar com os dedos vira farinha”. Sem querer entrar no mérito da responsabilidade, se da qualidade do insumo ou do modo de preparo, mas nesse caso, podemos dizer que aquele bichinho morreu em vão.

Comemos muito menos que a nossa fome merecia. O caldo tinha o mesmo sabor fantástico, mas o peixe…Ah “O Peixe”! Minha amiga decidiu reclamar e o responsável pela casa concordou conosco, só de olhar. Se desculpou e disse que não cobraria. EU, EU, (e somente posso falar por mim o que é uma pena, mas aceitar isso faz a gente viver melhor) intervim e recusei educadamente a oferta do rapaz e disse que pagaria por aquilo que eu havia consumido, mesmo não correspondendo às expectativas. “O Peixe” entende do riscado e por outras vezes fui feliz naquelas panelas de ferro como os ratinhos que caíram no caldeirão de feijoada. Consumi, pago; “incomível” devolvo. Meu mundo, minhas regras (não sei porque, mas pensei agora que isso daria um bom slogan para comercial de absorventes).

O garçom ainda tentou oferecer que preparassem outra, mas eu o confortei dizendo “está tudo bem, problemas acontecem e a gente sobrevive!” tipo conselho de irmã mais velha, sabe? As vezes a gente faz a escolha errada não pelo lugar e sim pela ocasião e a eleição do pedido. E como dizia o Geninho… [pausa explicativa aos que tem menos quilometragem rodada: ancestral distante de Avatar que se escondia durante os desenhos da percursora do empoderamento feminino She-ha] a lição que aprendemos hoje é, se for ao “O Peixe” durante o almoço executivo da semana peça o almoço executivo, ora bolas! E se atente sempre aos sinais que a vida te dá. Por hoje é só, amiguinhos! Até a próxima “O Peixe”!

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